A saúde, isto é, a integridade de toda a vida, é um bem inestimável.
O homem encontra-se em estado de saúde se todas as partes que o compõem têm a capacidade de exercer as funções para as quais estão determinadas: se em todas as funções imperar uma ordem irrepreensível há, por certo, harmonia. Em oposição a esta asserção, ocorre a enfermidade, isto é, quando há uma perturbação da harmonia.
O fenómeno vital é a consequência da cooperação de três factores que estabelecem, em conjunto, a triplicidade viva do organismo; o movimento da vida consiste no encadeamento de dois fenómenos unidos de um modo indestrutível numa acção oposta e inalterável, destruição – renascimento, sob a influência aferidora de uma tensão equilibrada; o sistema nervoso é justamente o regulador fisiológico encarregado de manter esta tensão normal no organismo. Ora, a integridade de nosso equilíbrio pode ser desnorteada de dois modos: a reacção do físico sobre o moral e a reacção do moral sobre o físico; não é de descurar que a sensação mental, por mais insignificante que possa ser, é muitas vezes o agente mais rápido, mais insuperável. Então, torna-se irrefutável que o agente terapêutico, ao operar directamente sobre o sistema nervoso no sentido do funcionamento vital, regule realmente, os fenómenos funcionais, active as metamorfoses orgânicas e, desta forma, conduza à conservação da tonalidade viva ou à sua reconstituição, se esta estiver desequilibrada. Esta acção consiste, afinal, numa espécie de transmissão de força através da rede nervosa; então, o magnetismo pode apresentar-se como um meio seguro de manter o equilíbrio vital e curar as lesões patológicas mais rebeldes. Assim se expressa o único fim que deve ter o emprego da magnetização: a sua aplicação no sentido da promoção da integridade de toda a vida (saúde).
A magnetização consiste num tratamento contínuo, regular e metódico. Chama-se magnetizar ao acto de exercer em toda a sua plenitude a faculdade natural que o homem possui de emitir radiações magnéticas. O magnetismo reconhece a existência de um fluido especial, que é projectado pelo magnetizador (pelo uso das suas próprias energias apontando, assim, para a importância da atitude mental de quem magnetiza), actuando na pessoa que o recebe. Ora, a energia curativa é, efectivamente, uma energia de natureza magnética cujo uso evidencia a ocorrência de efectivas alterações bioenergéticas e fisiológicas uma vez que os níveis de hemoglobina sofrem elevações.
Segundo De Bruno, os principais agentes de que o homem se serve na magnetização são: a vontade e a atenção. A vontade determina e dirige a acção, a atenção sustenta-a e aumenta-a. Pela vontade, o homem imprime sua acção e dirige-a para onde quer.
“O melhor magnetizador é aquele que possui um bom temperamento, um carácter ao mesmo tempo firme e tranquilo, o gérmen de paixões vivas sem ser subjugado por elas, uma vontade forte sem entusiasmo, a actividade reunida à paciência, a faculdade de concentrar sua atenção sem esforços, e que magnetizando se ocupe unicamente do que faz.” (Deleuze)
Quando o magnetizador coloca as mãos sobre um paciente, diz-se que este actua por imposição. A imposição das mãos era conhecida e utilizada, muito antes de Mesmer, como poderoso meio curador. “Praticada desde os primeiros tempos históricos pelos magos da Caldéia, o magnetismo se propagou das Margens do Eufrates ao Egito e à Índia. Depois dos sacerdotes de Isis, os padres do Deus dos Judeus foram seus depositários e os cristãos o herdaram deles. Da Grécia passou a Roma, e de Roma, dizem, às Gálias. Sufocada na sombra espessa em que a cultivavam os adeptos na idade média, a ciência magnética renasceu com Paracelso, que a ensina ex-professo, e faz dela a base de uma nova escola médica. Meio século mais tarde, Van-Helmont consagra-lhe, em pura perda, quarenta anos de labores e de meditações, porque não é compreendido. Mesmer, finalmente, no século XVIII descobre o magnetismo que, depois de mais de três mil anos de exame e de controvérsia conta hoje oitenta anos de existência.” (Dr. A. Tesle, 1845).
O estudo dos seus processos constitui a arte de magnetizar, conquanto que magnetizar seja um dom natural.
Tal como se nasce com a aptidão de se mover e de cantar, similarmente se nasce com a faculdade de magnetizar. Porém, todos podem desenvolver mais ou menos as suas forças musculares no caminhar, no dançar, nos exercícios de força e de agilidade, no canto; contudo, estas aptidões só constituem autênticos talentos, quando desenvolvidas por exercícios fundamentados em métodos e princípios que formam uma arte. Analogamente acontece com o magnetismo. Emitir radiações magnéticas é uma faculdade comum a todos; todavia, o conhecimento dos princípios que regulam esta emissão e o estudo dos processos que facilitam as aplicações constituem a arte de magnetizar, havendo indivíduos tão bem dotados neste domínio que conseguem verdadeiros prodígios no que respeita ao tratamento por este meio.
Na utilização destas competências é necessário haver perfeita distinção entre um tratamento magnético e uma magnetização eventual e passageira. Uma dor, uma nevralgia, um movimento febril, uma função momentaneamente suspensa, curam-se rapidamente sendo apenas necessárias, muitas vezes, poucas magnetizações para deter o aumento do mal e restabelecer o equilíbrio do organismo. Quando se trata de algo mais sério, e particularmente de um estado crónico, é fundamental um tratamento mais prolongado. Em forma de epílogo poder-se-á dizer que, se é exequível fazer-se muito bem por simples intuição, pode fazer-se ainda muito mais conhecendo e compreendendo princípios e processos cujas vantagens nos são demonstradas pela observação e pela experiência.
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